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quinta-feira, 12 de junho de 2008

A Igreja:


Natureza, Características e Propósitos


A Igreja é a comunidade de todos os cristãos de todos os tempos. Essa definição compreende que é feita de todos os verdadeiramente salvos, todos aqueles pelos quais cristo morreu para redimir, todos os salvos pela morte de cristo. Inclui todos os verdadeiros cristãos de todos os tempos, os salvos do Novo como do Antigo Testamento.

O Próprio Jesus Cristo edifica a igreja: “edificarei minha igreja” (Mt 16:18). Seu crescimento não se deu apenas pelo esforço humano, “mas acrescentava-lhe o Senhor, dia-a-dia os que iam sendo salvos” (At 2:47). É uma continuação do modelo estabelecido por Deus no Antigo Testamento. A Septuaginta traduz a palavra “reúne” (heb. Qāhal) pelo termo grego ekklēsiazō, “Convocar uma assembléia”, verbo cognato do substantivo do Novo Testamento ekklēsia, “Igreja”.

Os autores do Novo Testamento podiam falar do povo de Israel do antigo testamento como uma “igreja” (ekklēsia) no deserto (At 7;38). O Autor dos Hebreus entende que os cristãos de hoje, estão rodeados de uma grande nuvem de testemunhas (Hb 12:1) que retrocede até aos primeiros períodos do antigo testamento e inclui Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os Profetas (Hb 11:4-32).

No capítulo 12, o autor aos hebreus afirma que quando nós, cristãos do novo testamento, adoramos a Deus, entramos na presença da assembléia (ekklēsia) dos primogênitos arrolados nos céus. Os Autores do novo testamento vêem tanto os cristãos judeus como gentios unidos na igreja. Juntos foram feitos um (Ef 2:14), um novo homem (v.15), concidadãos (v.19) e membros da “Família de Deus” (v.19). É correto pensar na igreja como povo de Deus de todos os tempos, tanto os salvos do antigo testamento como do novo testamento. 2. Igreja é Visível como a comunidade de todos os cristãos genuínos. Podemos perceber sinais externos de uma mudança espiritual interior, mas não enxergamos o coração. Só Deus o pode. O senhor conhece os que lhes pertence (II Tm 2:19). A Igreja invisível é a igreja como Deus a vê. A igreja católica argumentara que somente na organização visível da igreja romana poderíamos encontrar a verdadeira igreja, a única; Até mesmo hoje tal posição é sustentada. Em 25 de março de 1987, a Comissão Ad Hoc da Conferência Nacional dos Bispos Católicos (dos EUA) criticou o cristianismo evangélico (chamado fundamentalismo bíblico) principalmente porque tirou o povo da única igreja verdadeira. A Igreja Católica Romana tinha a forma externa, a organização, mas era apenas uma concha. Calvino argumentou que assim como Caifás (sumo sacerdote na época de Cristo) era descendente de Arão e não era um verdadeiro sacerdote também os Bispos católicos romanos “descendiam” dos apóstolos em uma linha de sucessão, mas não eram verdadeiros bispos da igreja de Cristo, a organização visível deles não era a igreja verdadeira. Calvino afirmou: “A pretensão de sucessão é vã se os descendentes não conservarem sã e incorrupta a verdade de Cristo que eles receberam da mão de seus pais e não conservarem sã e incorrupta a verdade de Cristo que eles receberam da mão de seus pais e não permaneceram nela [...] que valor tal sucessão tem, se não incluir também imitação incorrupta de seus sucessores!”

A Verdadeira Igreja de Cristo certamente tinha também um aspecto visível, esta é a Igreja como os cristãos a vêem na terra; inclui todos os que professam a fé em Cristo e dão prova de tal fé na vida. Paulo certamente sabia que havia descrentes nas igrejas as quais escrevia, pareciam ser cristãos mas no fim iam desviar-se. A igreja visível é o grupo de pessoas que se reúnem toda semana para cultuar a Deus como Igreja e professar a fé em Cristo. Reconhecendo esta distinção entre igreja visível e invisível, Agostinho disse, referindo-se à Igreja visível: “Muitas Ovelhas estão fora, muitos lobos estão dentro”. Reconhecemos como membros da igreja todos os que pela confissão de fé, pelo exemplo de vida e pela participação nos sacramentos professam o mesmo Cristo conosco. Não devemos tentar excluir ninguém da comunhão da igreja a não ser que este traga disciplina sobre si mesmo por causa do pecado publicamente conhecido. 3.Igreja é local e Universal. Numa Casa, em uma cidade, região e até no mundo, a igreja é compreendida. O Povo de deus é considerado desde o nível de grupo local até o universal pode corretamente ser chamada “A Igreja”. Não devemos cometer o erro de dizer que somente uma igreja que se reúne em casas expressa a verdadeira natureza da igreja, nem uma igreja que assume o nível de uma cidade, nem que só a igreja universal pode ser chamada apropriadamente pelo nome igreja. Pelo contrário, a comunidade do povo de Deus vista em qualquer nível pode ser corretamente chamada igreja.

Uma das primeiras descrições ou metáforas aplicadas à igreja é a de povo de Deus. Com o uso desta frase, a perspectiva é de focalizar no relacionamento de dependência de Deus dentro dos limites da aliança estabelecida. Êxodo 19 assenta os elementos essenciais desta aliança e da designação de ser povo peculiar a Deus. Nestes mesmos termos encerram-se também as figuras de sacerdócio real, nação santa, povo adquirido, povo eleito e em parte referências à participação no reino de Deus. No Antigo Testamento, o conceito de igreja é traçado em termos da nação como um todo ou de um remanescente, porém há modificações de tal idéia no Novo Testamento, partindo do desenvolvimento das referências a um remanescente fiel. É na base do conceito de Israel como o povo de Deus que o Novo Testamento desenvolve o seu ensino do povo de Deus em Cristo. O Antigo Testamento utiliza muito a imagem da esposa, muitas vezes encerrado nos termos de prostituição. Vez por outra, a mensagem referida tem sentido duplo, já que o culto aos deuses dos povos ao redor de Israel era comumente associado a orgias e à utilização de prostituição nos próprios

templos e altares pagãos. Quando o texto fala de prostituir-se com outros deuses, trata diretamente de questões de prostituição e lascívia sexual, mas o enfoque principal é a infidelidade de Israel a YHWH, sob a figura da relação matrimonial sendo violada pela esposa. O ideal da natureza da igreja é, no entanto, referido aqui no sentido de pureza relacional e fidelidade perante Deus. É este aspecto da natureza da igreja que normalmente vem sendo apontado na utilização dos termos esposa, noiva e

Também Templo. Outra agrupação de termos reflete a missão a ser desempenhada pela igreja. Estas designações como corpo e membros de Cristo, refletem a igreja como a presença visível e ativa de Deus na terra. A missão de estender o ministério de Cristo espelha-se nos termos como ramos da parreira, galhos da oliva, lavradores da vinha, coluna e baluarte da verdade, luzeiro e sacerdócio real. Há também expressões parecidas sacadas da agricultura como lavoura, vinha e horta, mas estes termos refletem mais a obra de Cristo nos integrantes da igreja, em conjunto com termos no sentido de edifício, construção e seu vínculo com colocações da obra de Cristo na igreja. Este agrupação de termos reflete a natureza da igreja pelo seu aspecto do processo de desenvolvimento, chegando a cumprir com o propósito de Deus. Entre outras podemos relacionar: Família, a Noiva de Cristo, Ramos de uma videira, Oliveira, Lavoura, Edifício, colheita, um novo templo, novo Grupo de sacerdotes, Casa de Deus, Coluna e Baluarte da Verdade, Corpo de Cristo.

Entre os Protestantes evangélicos tem havido diferença de posição sobre a questão do relacionamento entre Israel e a igreja. As Promessas de Deus para Israel são as bênçãos terrenais, quanto para igreja, as celestiais. Deve-se lembrar da parábola de Jesus lançada aos fariseus, na qual ele os trata como lavradores maus, cuja posição e responsabilidade lhes são tomadas para serem entregues a outros. Aqui é interessante notar que os fariseus compreenderam a mensagem de que o reino lhes seria tirado, mesmo se não aceitassem a palavra. Além desta passagem, lembra-se também as colocações no livro de Isaias referentes à missão de trazer todos os povos a cultuarem ao Senhor. Lembra-se que a Bíblia deixa abertura para que Israel se volte a Deus e novamente encontre o seu lugar dentro dos propósitos de Deus. Esta reintegração, no entanto, dependeria do arrependimento do povo. A mensagem missionária referida por Jesus já havia sido expressa na aliança sinaítica, a qual, por sua vez, tem fundamento no propósito de Deus, registrado a partir de Gênesis 3, para reconciliar consigo mesmo os seres humanos alienados em pecado. Tal ensino é mais claro nos profetas como Isaías. Na aliança sinaítica, a proposta missionária era integral à identificação do povo como povo de Deus. Esta condição foi quebrada por Israel inúmeras vezes. A única ressalva para o povo continuar sob a aliança era a misericórdia de Deus, pois eles já haviam rompido a aliança desde o deserto, mesmo antes de entrar na terra prometida. Deus não tem dois propósitos separados para a Igreja e Israel, mas sim um único propósito – Estabelecimento do Reino de Deus. Judeu é aquele que interiormente é circuncidado, ou seja, no coração, não segundo a letra. Paulo considera Abraão pai de todos os Judeus, todos os que crêem.

A igreja autêntica existe como a concretização do reinar de Deus e não pode existir desvinculada
deste reino. É na vida da igreja—o povo de Deus—que o reinar de Cristo tem forma e exercício. O conceito do Reinar de Deus é a categoria principal no estudo da escatologia, porém é na igreja que este reino tem o seu começo e a sua concretização primária. “No Novo Testamento, o reino de Deus é principalmente o seu reinar nas vidas daqueles que se submetem à sua autoridade”. Logo o termo “reino de Deus” pode ser definido como o Seu “governo em ação”, ou o “reinar de Deus”. Segundo as declarações de Jesus, o Seu reinar já é “uma realidade na história humana”. Deus já reina entre o povo, mesmo que não de forma política ou teocrática no sentido ideal da aliança sinaítica. O povo de Israel dava muita ênfase à questão de viverem diretamente sob o reinado de Deus, mas pode-se ver que esta realidade nunca teve uma concretização plena. Quando as multidões queriam fazer de Jesus o seu rei, Ele não aceitou tal proposta por ser um desvio completo do propósito maior do seu ministério. Perante Pilatos, negou de novo que seu reino fosse como os reinos deste mundo8. O seu reinar era uma questão do interior, não da relação nacional externa. João, o Batista, chamou o povo judeu a se tornarem filhos de Abraão e não confiarem em sua herança nacional, mas Jesus leva o conceito mais adiante, rejeitando a idéia da identificação do Messias com um rei de força política, enfatizando a aceitabilidade dos rejeitados pela sociedade e a transformação interior do indivíduo. De modo igual, a igreja deve espelhar o compromisso interno de cada indivíduo para aceitar a sua participação e integração no povo de Deus. Este compromisso é uma questão da aplicação do reino na vida do indivíduo. A igreja é por conseqüência o agrupamento ou reunião dos membros ou cidadãos do reino. A igreja não é o reino, mas ela é criatura ou veículo para a extensão do reinar de Deus. O reinar de Deus na vida humana cria a comunidade pertencente ao reino, a qual chamamos de igreja. A fé bíblica não é institucional, porém é indiscutivelmente comunitária enquanto individual, e é nesse contexto que o reinar de Deus existe no mundo. O reino começa na vida do indivíduo, mas é levado adiante no contexto comunitário do reinar de Deus.

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